Viagens na minha terra
Almeida Garrett ,Viagens na minha terra
Também vou ali até ao quintal e já volto...
"Ó meu castelo, minha Saxe,meu bosque de salgueiros.As tardes, as manhãs,os dias..." Rimbaud

Fotografia retirada daqui www.thisisthelife.com/en/travel/galapagos.htm:
Prémio do jogo "Os sítios de Portugal":
SOTAVENTO: Uma semana nas Galapagos , com estes animaizinhos fantásticos ! A vida marinha selvagem! A poeira nos sapatos e a brisa fresca do mar!
Obrigada ao pessoal que participou!
Falava em caminhos, antes de começar a falar aqui, falava para comigo, em solilóquio. Dizia (ou pensava?) que os caminhos vêem-se em retrospectiva, quando já vamos longe e olhamos para trás. O tempo é curto para a sagacidade, ou talvez não, talvez seja fragmentada a nossa visão, daqui ali, somente, a traço grosso os acontecimentos, a traço miúdo alguns pormenores, e o caminho é a forma da estrada que une estes lugares ou a forma de uma paisagem.Há pedaços que escapam envoltos em penumbra, um monte, um arbusto ,uma escarpa, a névoa de um esquecimento. Assim a paisagem de cada um se vai erguendo, nem sempre igual , como se viver riscasse numa tela um desenho em movimento. Não, ainda não sabemos qual é, mas um dia iremos saber, só nós poderemos saber, mais ninguém. Então, rascunho na sebenta esta imagem e pondo as mãos em concha pego nestes montes, no verde e no cinzento e sopro, há vento ao cimo dos montes. Onde estamos nós? Qual a paisagem do meu ser? Do teu?
Da saga dos figos (é simbólico, uma pista...) à saga de lugares, aqui está um ao anoitecer, pura matéria de casario e rio que por estar desfocado poderia ser um sítio qualquer, até sítio nenhum, puro lugar na imaginação onde terra e água se cruzam como por encanto , estranha esta razão de nos fascinar o que é comum. Sempre que aqui venho tenho vontade de ajoelhar. Mas isso já ultrapassa a matéria, ultrapassa até o lugar e a sua mística, para mim, e não peçam para explicar porque poderia mas não sei para quê, que o Verão pede é água e não palavras, então para mim há sempre uma curva de rio, quando morrer talvez leve comigo,como última imagem, a curva deste rio e ele nem sequer suspeita disto. Desafio ao reconhecimento. Onde estamos?
Hoje sinto-me um atelier de tempos livres a precisar de obras de Verão. Assim como purificador de ambiente, um rio que vai devagarinho para o mar. Lá à frente já se vê, o mar. Trata-se de uma paisagem invernal mas pode ficar como o sítio para descobrir. Bora lá pessoal. Olhinhos. Onde estamos nós neste Inverno?
Ora bem...um táxi, dois táxis, três táxis, quatro táxis, cinco táxis...