
O dia do teatro, bilhetes à borla, sala cheia, muita gente nova.O Teatro. Para quem o faz é um mundo muito pequeno, familiar e aconchegante, para quem o vê, agora, é a exigência de universal, que nos toque na alma e se nos entranhe no sangue, uma entoação, um gesto, uma pausa, um movimento, um olhar que seja, a cumprir-se como se viesse de tempos imemoriais, como se fosse o primeiro. Um filme medíocre , suporta-se, teatro medíocre não. Não dá para continuar a ver, por piedade para com aqueles que, ali em cima, no palco, se enganam. Sei o que isso é, fecho os olhos e espero que não dure muito.O sofrimento meu, por eles.Está certo que nem todos alcançamos a sublimidade, há graus , mas o pior é a pretensão, a pretensão que o Teatro medíocre tem, aliás não pode deixar de ter porque se trata de desnudar sentimentos, área de uma fragilidade esmagadora onde um pequeno pormenor pode manchar de cuspo o que era somente respiração ofegante. Pois sendo o teatro a arte da máscara, o drama moderno inverte-a, tira-a, vai tirando as máscaras, o que está lá por trás tem de ser poderoso, quando não é...é só doloroso...pura piedade.Não. Não podemos. É melhor voltar às máscaras e enfiar coturnos nos pés, que venha de novo o actor comediante e ícone, que se inscreva para lá da dimensão do estritamente humano senão é melhor ver novelas, meus caros.