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" o que interessa na moral sexual é a distinção entre disposições virtuosas e viciosas." " A pessoa virtuosa é aquela que faz a escolha certa de fins" " A pessoa virtuosa deseja a pessoa que também possa amar, que queira e vá retribuir o seu desejo, e com quem possa comprometer-se."diz o Roger Scruton no Guia de Filosofia para pessoas inteligentes.
Tenho plena consciência que este post é chato, que nada há de mais chato que a virtude e que o vício é bem mais empolgante. Também me parece que a virtude é o justo meio no meio e, nesse caso, um bocadinho de vício, um viciozinho aqui e ali até é desejável, pois a santidade, é-nos completamente alheia. Posto isto, assumindo a virtude como a consciência do justo meio, o que tenho a dizer sobre sexo resume-se áquela célebre frase: "do sexo não se fala,faz-se" e acabaria aqui o discurso. mas, embora concordando, em certas circunstâncias com a frase, não a defendo em todas. O discurso sobre sexo parece-me desviado: ou moralista e intolerante ou libertário e vazio. Resolvo-me a defender o sexo como acto onde está presente o sagrado. Sim, o que é fantástico no sexo não é apenas o prazer sensível que dele deriva mas a comunhão (não a 1ª nem a 2ª, uma outra...) com o outro. A abertura a um mistério , uma celebração onde o corpo é o instrumento mas não o fim. O limite da liberdade sexual deve ser o mútuo consentimento e não qualquer regra ou norma exterior a esse consentimento, a liberdade do nosso corpo é absolutamente essencial para a nossa identidade enquanto indivíduos e para o nosso sentido de responsabilidade.
Mas o que fazemos com o nosso corpo, não o fazemos sozinhos,nem o fazemos para além da consciência, o sexo é um acto de consentimento mútuo que implica uma série de expectativas, emoções, desejos, e crenças, isto é, que implica a totalidade do nosso ser e não apenas a líbido e o corpo. Assim, falar de moral sexual tem sentido, neste aspecto de implicar uma atenção, um cuidado que se coloca em qualquer relação com o outro. Isto não quer dizer que deixe de existir liberdade ou que o sexo seja um acto inserido no contexto da constituição de família.Nada. Nada. Quer apenas dizer que não é só uma troca de fluidos, uma necessidade biológica. Nem 8 nem 80. Alguns cientistas chegaram à conclusão que a prática habitual de sexo com alguém, produz uma substância química no cérebro que nos torna dependentes dessa pessoa, fisicamente dependentes. Ora, como interpretar isto? Bem, eu diria que aquilo que aparentemente é apenas um acto de momentâneo desejo, pode ser um acto de comprometimento, portanto, não se admirem aquela coisa de: "sinto tanta falta", "morro de saudades" etc, é química. Como se primariamente os actos culturais e sociais ( o sexo é um acto social e cultural) tivessem na sua génese uma pulsão física. Acredito nisso.