The Bridge

"Ó meu castelo, minha Saxe,meu bosque de salgueiros.As tardes, as manhãs,os dias..." Rimbaud

Assim descreve Eça as cogitações de Amaro, o pároco de Leiria:
Cá também espancamos crianças até à morte mas a lei condena o espancador (de forma moderada mas condena) a lei islâmica permite espancar crianças/mulheres até à morte e os assassinos são cumpridores da lei, os assassinos são os justos! Estes árabes vivem na mais obscura das idades, na idade que escapa a qualquer racionalidade, chamo-lhe trevas mas trevas daquelas mesquinhas e asquerosas. Para estes aqui não há desculpas e não há perdão,não há nada senão uma imensa revolta! Escolas à parte, o ser romântico alimenta-se do seu próprio sentimento, cuida-o, empresta-lhe para respirar um cem número de memórias à beira mar e ao pôr do sol, ama o seu amor, ou a ideia dele e constrói um meticuloso mundo onde cada coisa é símbolo do seu sentir. Ser romântico é desejar acima de tudo sentir, mesmo que o objecto do seu sentir esteja ausente, ou ainda mais sentir quando há ausência pois na ausência a presença engrandece , multiplica-se, aperfeiçoa-se , como se completasse à força de sentir, o vazio que a ausência implica. No outro lado do vértice da pirâmede, a paixão. A paixão é um estado emocional, desequilibrado, guerreador, na paixão nada basta, há um fogo a consumir, uma emoção que desaba a todo o momento, na paixão nada se constrói, nada é possível, é tudo imensamente sagrado, imensamente presente, imensamente doloroso. Já não há o eu há só o outro.Quando escrevemos encetamos um distanciamento, tentamos ver. Mas só há uma linguagem para a paixão e essa não passa certamente por palavras. As palavras enamoram-se do amor, são sem dúvida românticas.

México, Teotihuacan, pirâmede, Adriana Silva Graça
Frequentemente sonho e lembro-me dos sonhos. Ouvi algures e teve graça que entre os enfadonhos encontramos muitos contadores de sonhos. Daqueles que começam: "olha hoje sonhei uma coisa tão estranha!" e começam a desfiar o rosário...já ninguém está verdadeiramente a ouvir, a não ser o psicanalista mais a conta bancária que fica em geral ao lado do divã, sossegadinha. Longe de mim ser enfadonha mas hoje sonhei uma coisa tão estranha...não, não cairei na tentação...
...
então era assim, havia umas peças de faiança e um corredor e alguém me dizia, não toques nisso que ainda podes partir, eras tu que dizias, eu para variar punha-me a argumentar...vou a correr puxar da interpretação e surge-me o recalcamento...recalquei qualquer coisa algures, claro que sempre parti muita loiça, mas pergunto-me se essa proibição se refere à loiça...se calhar não é para a loiça.
Imagem tirada daqui www.saisdeprata.comS. Luís
Espectáculo: Cancões II
Em palco uma orquestra, a Sinfónia Portuguesa, do lado direito cinco músicos de Jazz excepcionais, o melhor sem dúvida o trompetista Hugo Menezes, ( rectifico, João Moreira) ao centro Camané. Vinte e quatro canções de um reportório que incluía My Funny Valentine, Ne me quitte pas (Jacques Brel) Que c'est triste Venise (Aznavour) e Vendaval (cantado por Tony de Matos).
"Para onde vou? Não sei.
O que farei? Sei lá.
Só sei que me encontrei e que eu
sou eu enfim
e sei que ninguém mais rirá de mim!"
Não resisti. Momento alto da noite. Coloquem-lhe os adjectivos todos. Noite inesquecível. Este pequeno homem, é absolutamente FABULOSO!
