segunda-feira, janeiro 30, 2006
sábado, janeiro 28, 2006
natureza
Têm estado tardes frias. Ao cimo do monte da oliveira passeio o cão nas tardes frias,a sua respiração de cão corredor sai como fumo estreito. Digo-lhe "anda cá" ele vem, porque se habituou a que lhe dê um pedaço de chocolate doce. Temos isso em comum, eu e o cão, gostamos de doces e precisamos de ser cativados . Olho nas janelas do bairro, das casas que rodeiam este pedaçito de terra ainda selvagem, penso que cada um está entregue à sua vida, às suas preocupações, aos seus desejos e frustrações, não os conheço, mas também tenho quase a certeza que temos isso em comum. Às vezes chamo o cão mas ele não vem, uma cadela aparece na paisagem e o cão já não quer saber do chocolate, corre desvairado para brincar um bocado com a parceira. Ela nem sempre está para aí virada, desencontros...quando assim é, sou eu que tenho de me pôr a correr para os separar antes da zanga fazer sangue. Também temos isso em comum, eu e o cão, corremos quando na paisagem se perfila algo melhor que um pedaço de chocolate, algo com o qual podemos brincar , mostrar quem somos, descobrir quem é o outro e o que tem para nos oferecer. Nestas tardes frias, tenho aprendido muito com o cão e digo "Até logo" aos donos das cadelas que o "desatinam" porque sei que temos isso em comum, ambos percebemos que as leis da natureza são assim e repetem-se em todo o lado.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Lençóis brancos
Poderia confirmar a velha máxima"quem não tem cão caça com gato" , isto quer dizer "Ó pá tu desenrasca" se não pode ser bom que seja "assim assim" e como posso duvidar de "se não podes vencê-los, junta-te a eles"sábia visão dos mecanismos das relações humanas, e não ficaria por aqui visto que"a necessidade faz o engenho" . Posto isto, justificados que estão os nossos golpes de rins gostaria de apontar o dedo ao senso comum do raio dos provérbios. Admirar os que se recusam simplesmente a caçar se não tiverem o "dito cujo", os que "antes quebrar que torcer" e os que têm engenho sem que este implique qualquer necessidade. Aquele engenho porque apetece sem que a utilidade venha conspurcar com seu olho de preguiça mole. Agora por preguiça mole, vem tudo a propósito dos lençóis brancos de algodão. Adoro dormir em lençóis brancos de algodão e ultimamente é só de cor, que me dão está visto, e embora seja um desperdício, diria um galanteio inútil, ir comprar lençóis brancos com tantos lençóis por aqui, não vacilo, nem vou conformar; se são lençóis brancos, pois que sejam, nem que tenha de ficar três dias sem comer!domingo, janeiro 22, 2006
Raças
Apesar do comentador made in "Expresso" Francisco Ferreira o renegar, utilizando adjectivos como horroroso, de pacotilha, vazio, este filme galardoado como melhor filme europeu do ano transacto, é inquietante, sólido, magnificamente interpretado. O olhar é neutro, como que a deixar entrever uma câmara fixa que grava, aliás, vai gravando , misto de olhar real e olhar omnipotente situando-se no lugar onde as coisas que, em geral se escondem de qualquer olhar, acontecem. Trata-se do problema das raças, argelinos mais concretamente, e do convívio desse multiculturalismo no meio dos franceses, snobs, pretensamente tolerantes e liberais. Quer queiramos ou não, quer aceitemos com cortesia ou com raiva, as raças estão aí na rua, misturam-se sem nunca se misturarem, vigiam-se, escondem os gritos , as indignidades, os medos.Tentam conviver civilizadamente mas a comunicação social , o mais desbragado chauvinismo , a indiferença cautelosa e a nítida clivagem de classes não nos permitem esquecer, ou seja, fazer de conta que somos todos iguais. Embora evidentemente sejamos todos iguais à luz da humanidade e da lei, o facto é que somos diferentes e essa diferença não se resolve com cortesia e indiferença, com vítimas e carrascos mas, penso eu, com o mais sentido respeito de todos.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Às vezes, uma paz, uma tentação que se instala de estar tudo no lugar certo e correr por si como levado por uma força invisível, não acessível, nos seus contornos à consciência. Há sentimentos que nos escapam, e realidades que não conseguimos conceptualizar. Como ver subitamente a fotografia de alguém e desatar a chorar e não saber porquê, ou encher-se de ternura e não saber porquê. Apesar do gosto, apesar da necessidade e mesmo apesar de ser o pensamento, local privilegiado de ser humano e livre,há uma latência em nós , vida, sensibilidade ou emoção a manifestar-se continuamente, ao arrepio do próprio pensamento.
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Parques e cigarros
quarta-feira, janeiro 11, 2006

Encontramos quando procuramos? Encontramos quando não procuramos?Encontramos, vamos encontrar, achamos.Súbita descoberta vamos ao encontro de, sem saber bem de quê, ou sabendo mas sem saber ao certo, num impulso ou deliberadamente,a correr ou passo a passo, como se em cada minúsculo movimento saboreássemos por antecipação o que vamos encontrar, mistura de imaginar com outros sinais de lembrança breve.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Amanhecer
sábado, janeiro 07, 2006
Literatura
quarta-feira, janeiro 04, 2006
domingo, janeiro 01, 2006

2006
Começou o novo ano, novinho em folha! Fiquei com um torcicolo de olhar para cima, para estas luzinhas todas.Adoro fogo de artifício!
Desejo-vos assim um ano NOVO 'and so one' aquelas cantigas, o Murganheira! O champanhe português morno... mas também não interessa nada...esqueci as passas mas também não interessa nada...que Portugal enfrenta novos desafios , pensei de soslaio, nas pessoas que amo também e , cá estamos ! BOAS!
(Agradecida à fotógrafa que fixou assim o momento!)






